quarta-feira, 8 de abril de 2026

Fundações e Associações


 Em Novembro de 1990, fui operado no Hospital de Abrantes, para extração do material de osteo síntese na coxa e na bacia do lado direito, numa intervenção cirúrgica que correu mal, tendo a perna sido fraturada novamente, e o material que deveria ser retirado, continua no meu organismo.

A transferência do Hospital de Abrantes para o Hospital Conde do Bracial, que deveria ter ocorrido em três dias depois, ocorreu passado uma semana, tendo permanecido naquele hospital até ao início de Janeiro de 1991.
Durante este período de internamento, a solidão só era quebrada ao final de cada tarde, quando as auxiliares do hospital, empurravam a cama onde eu estava, para a sala da televisão, onde aí eu poderia abstrair-me da tristeza e solidão que sentia.
Na televisão, o presidente norte americano, era notícia devido á Tempestade no Deserto, na sequência da invasão do Koweit pelo Iraque, e entristecia-me a ver as imagens de inocentes que sofriam as consequências daquele conflito, e ocorreu-me pensar que no amanhã talvez me pudesse levantar, enquanto muitos, jamais se poderiam levantar.
Com esta visão bem vincada, no dia 3 de Janeiro de 1991, após ter alta do hospital, pensei em fazer parte de alguma entidade para ajudar outros e com este desejo escrevi a uma alta figura do Estado para indagar sobre qual seria a entidade credível, á qual eu poderia juntar-me, e cuja resposta veio em carta datada de 19-03-1991, mas não com a indicação que solicitei.
Em Junho de 1992, era proprietário de um renault 5, no qual coloquei alguns pertences, e parti rumo a uma das principais avenidas de Lisboa para conhecer o trabalho de uma fundação humanitária da qual me tornei Amigo 0810.
Durante meses fiz um pequeno donativo, e sem esperar, recebo um diploma de honra com a data de 11/10/1993, nomeando-me como suposto membro de um conselho consultvo que nunca conheci.
Solicitei á Camara Municipa de Sines, um espaço onde pudessem ser colocados bens recolhidos, que posteriormente transportados para a sede da fundação. Um jornalista local publicou num matutino que a fundação iria abrir uma delegação em Sines, o que provou que muitas vezes o Jornalismo deturpa os factos.
Organizei alguns eventos solidários em Santiago do Cacém, Sines e Santo André, para dar a conhecer a instituição e recolher eventuais fundos para o trabalho da mesma, recolhi rádiografias para reciclagem, vendi artigos com o logo dessa fundação, onde o produto da mesma foi integralmente para a mesma, estive presente nalgums atividades solidárias com o único objetivo de dar um pouco de mim.
Numa fase menos boa da minha vida , deixei de poder dar o meu contributo financeiro, tendo vindo a verificar algum distanciamento no trato, e até de algum distanciamento, desde que foi publicada a falsa notícia da abertura da delegação dessa fundação, hoje associação.
Não sou rico e não me arrependo das minhas atitudes porque o que fiz foi de coração, e embora possa transparecer que foi pouco o que fiz ou dei, muitos poucos fazem muito. e a lição que aprendi, é que há muitos cidadãos com muito, que fazem muito pouco.
As nossas atitudes são muitos mais importantes do que a nossa capacidade, por isso a ajuda que me proponho dar, sempre que solicitada, não será a instituições que enriquecem os seus fundadores, mas a seres humanos, em que os grandes pensamentos colocados em prática, resultam em grandes ações.

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