Uma Saga vivida
A 12 de maio de 1983, com a idade de 19 anos sofri um grave acidente no norte do país na sequência do qual fraturei as duas pernas, uma com fratura exposta, a bacia, a cabeça e um dedo, tendo sido encaminhado para o hospital de são joão do porto, no qual permaneci internado até ao dia 13 de Julho, sendo nesse mesmo dia transferido para Lisboa, para o hospital de santa maria, cujo internamento foi recusado, com o argumento de que a transferência tinha sido mal feita.
Ao final desse dia fui encaminhado para o hospital de são josé, onde o meu internamento foi igualmente recusado, tendo nessa mesma noite sido enviado para casa, sem qualquer tipo de assistência médica, tendo no dia seguinte, seguido para hospital de são lazaro numa nova tentativa de internamento sem sucesso.
Os bombeiros transportaram-me a casa onde permaneci sem qualquer tipo de assistência médica, onde passei um fim de semana em que a visita de uma professora de infância e adolescência no ensino especial, acompanhando com preocupação a situação, encetou contactos com pessoas influentes no hospital de santa maria, numa tentativa de conseguir ser internado, enquanto seu esposo contactava a redação do vespertino Diário Popular com o objetivo de denunciar a situação.
Nessa segunda feira de 17 de Julho de 1983, enquanto esperava a consulta em santa maria, os jornalistas do Diário Popular, chegaram ao pé de mim e com a ajuda da senhora professora, foi relatada a triste saga que eu estava a passar, mesmo assim não consegui o internamento e uma assistência médica condigna, tendo sido encaminhado novamente para o hosital de são josé, e novamente para casa, sem conseguir ser tratado ou internado. No dia 18 de Julho recebi o reporter fotográfico do Jornal, tendo o mesmo saído com notícia de primeira pagina, fazendo a referência a (DOENTE VINDO DO PORTO, NÃO ENTRA NOS HOSPITAIS DE LISBOA)
Na sequência da notícia, o então Ministro da Saúde, Maldonado Gonelha (quadro da EDP), entrou em contacto com o administrador do hospital, Dr. José Luís Saldanha Cardoso de Menezes, ordenado o meu intetrnamento, tendo o senhor ido a minha casa numa ambulância , dizendo para a minha mãe que mais um dia sem assistência médica, e eu ficava sem a minha perna esquerda, porque a mesma estava a criar gangrena.
Durante o meu internamento, estava para ser operado para corrigir o alinhamento ósseo, posteriormente fiz um raio X, e já não era preciso porque supostamente o osso tinha crescido, depois extraíram-me os fixadores externos que tinha na perna, foi-me colocado um aparelho gessado por toda a perna e enviado para casa, não sem antes ter que me deslocar ás consultas semanais, até que tive alta hospitalar.
Acabei por não ser submetido a qualquer intervenção cirurgica, como seria necessário, tendo como resultado uma deformação na perna esquerda, devido ao facto de não ter sido operado, sendo que o resultado é que com o passar dos anos, a dificuldade é maior e o aparecimento de feridas torna-se mais frequente.
Acredito que as sequélas do acidente sofrido a 19 de maio daquele ano, em que sendo atropelado por um carro, fui projetado para debaixo de um camião, far-se-iam sentir para o resto dos meus dias, mas se tivesse um acompanhamento médico condigno, certamente as suas consequências seriam minimizadas, e talvez não tivesse hoje uma ferida na perna que além da fratura exposta, já tive também um sarcoma (cancro grave).
Quando estas situações são do conhecimento de entidades supostamente competentes, e as mesmas insistem em não reconhecer e dificultar o acesso aos meus direitos, a palavra INCLUSÃO deixa de fazer sentido sendo apenas um termo usado em disccursos eloquentes apenas para impressionar e ficarem bem na fotografia.
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